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Entenda a relação do estresse com o AVC
Texto: Diego Marcos Vieira da Silva Psicólogo comportamental (CRP15/4764), formado pela Universidade Federal de Alagoas
  Entenda a relação do estresse com o AVC

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   Em capítulo exibido recentemente na Rede Globo, a personagem Sofia, vai a júri para ser julgada por quatro assassinatos e no início do julgamento a mesma sofre um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A cena exibida denota exemplo das variáveis causais do quadro clínico da personagem.  Algumas pessoas, em situações de estresse sofrem um infarto agudo do miocárdio, popularmente conhecido como ataque cardíaco que conforme o tempo do evento, pode levar a pessoa à óbito. Mas o que vem a ser o estresse e como ele age no organismo provocando inúmeras patologias, como as envolvidas no sistema cardiovascular?


Em 1936 Hans Selye, fisiologista do Canadá  cunhou o termo “stress” na área da saúde para referir-se a uma resposta orgânica provocada a uma situação específica, neste caso, uma situação estressora. A partir daí a ciência adota este termo e passa a estudar este fenômeno tão intrínseco ao ser humano. “Além do interesse científico, também cresceu o interesse econômico em torno do estresse, que pode ser observado tanto na indústria farmacêutica, que vem fabricando numerosos produtos para combatê-los, como nas companhias de seguro, principalmente norte-americanas” (FILGUEIRAS & HIPPERT, 1999). Conforme a teoria da evolução de Charles Darwin, mais tarde sendo base para a ciência análise do comportamento, as reações do nosso organismo frente a estímulos aversivos são diversas e filogenéticas, pois tiveram importância na garantia de nossa sobrevivência. Vejamos um exemplo: o homem primitivo, frente a um animal que o ameaçava, precisava planejar sua luta ou fuga para manter-se vivo, para isso, o organismo entrava nesse estado de excitação afim de prepará-lo para emitir esses comportamentos. Então, não se pode compreender o estresse apenas como algo ruim. Ele tem seus benefícios e prepara o organismo para agir em determinadas situações. Uma pessoa que está nervoso antes de uma entrevista de emprego, por exemplo, pode ter mais chance de se sair bem pois presume-se que houve uma preparação deste candidato para as possíveis perguntas do recrutador. Uma estudante que está prestes a fazer prova de vestibular, pode apresentar este estresse pois seu organismo sinaliza a preparação para tirar uma boa nota, com isso ela estará mais atenta a cada questão que responder. Embora cada caso é um caso específico e abarca uma história de reforçamento e punição, em geral o estado de estresse se faz importante para nossa sobrevivência, entretanto o estresse prolongado e em situações incompatíveis com o grau de excitação, pode ser caracterizado como um problema passível de tratamento.


Quando nos sentimos estressados, nosso organismo libera uma substância conhecida como cortisol, hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais localizadas na região dos rins. O cortisol auxilia na produção de glóbulos brancos, células do sistema de defesa que, em excesso, prejudicam a circulação de sangue nas artérias. Sob condição de estresse, o cortisol provoca a produção em excesso de glóbulos brancos. Esses glóbulos são necessários para nossa sobrevivência, pois combatem as doenças de nosso organismo, como infecção, no entanto, quantidades maiores deles são prejudiciais, pois ficam alojados nas paredes das artérias, dificultando o fluxo do sangue e promovem a formação de coágulos, os quais bloqueiam a circulação ou alojam-se para outras partes do corpo. A formação de coágulos nas artérias, eleva o risco das doenças cardiovasculares pois provoca uma desregulação nos batimentos cardíacos. Problemas que causam batimentos cardíacos desregulados, são as principais causas que contribui para o AVC, pois eles favorecem a produção de coágulos dentro do coração, que ao se desprenderem podem chegar aos vasos do cérebro, diminuindo o fluxo do sangue, provocando o AVC.


Estes e outros problemas envolvendo coágulos podem ser encontrados com facilidade em pessoas sob fortes condições de estresse, seja no trabalho (causando a síndrome de bournout), seja porque acabou um relacionamento amoroso ou sob condições de ameaça. Preocupação excessiva também tem se destacado como um dos principais fatores para a elevação nos níveis de cortisol no organismo, bem como está relacionado aos principais problemas de comportamento da atualidade. Algumas pessoas vivem “estressadas” por, muitas vezes, não terem aprendido outra forma de se livrar da situação estressante. Preferem conviver com o estímulo aversivo, mesmo se prejudicando a ter que buscar meios que facilitem sua aprendizagem em habilidades de comportamento para resolver seus próprios problemas do cotidiano.  “Os acidentes vasculares cerebrais (AVC’s) estão entre as principais causas de morte e incapacitação física em todo o mundo desenvolvido. Nos Estados Unidos da América, aproximadamente 500 mil pessoas apresentam um AVC novo ou recorrente a cada ano. Dessas, 150mil morrem anualmente por AVC”.  (OLIVEIRA e ANDRADE, 2001).


Com isso, não é possível livrar-se das condições de estresse a que nos expomos cotidianamente, principalmente quem convive com este problema por tempo prolongado, mas é possível aderir a alguns hábitos que melhorem nossa capacidade de resolver problemas frente a ambientes estressantes, um deles, talvez o mais simples é refletirmos se nossa preocupação excessiva contribui para a resolução de alguma situação. Muitas vezes precisamos nos adaptar aos ambientes aversivos, pois as chances de modificação são muito baixas, principalmente quando as situações envolvem pessoas. Quando há espaço para negociação em prol do bem estar, tudo bem, quando não; a única coisa que se pode fazer é adaptar-se. Pessoas que enfrentam sérias crises de estresse no trabalho, normalmente são responsáveis por demandas excessivas de tarefas e/ou trabalham além do horário limite, bem como, seus colegas de trabalho não convivem harmoniosamente em prol do bem estar geral, mas visam apenas a promoção de si próprio. Outra forma de condição estressante bastante comum é a interrupção de um  relacionamento amoroso. A adaptação a nova forma de viver também se faz necessária, principalmente quando não há negociação com o (a) parceiro (a). Preocupar-se excessivamente com aquilo que não se pode modificar, é contribuir para a elevação nos níveis de cortisol no organismo, o qual como já exposto, está intimamente relacionado com hipertensão arterial a qual, pode chegar a provocar Acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH). Os AVCH que são causados por hipertensão arterial funcionam dentro de um sistema neorológico que envolve o núcleo da base, tálamo, a ponte e o cerebelo.  Áreas que vasos de menos calibre a revestem tornando o sujeito mais vulnerável aos efeitos da pressão. Controle seus estados de estresse e busque conviver com aquilo que não se pode modificar. A ajuda psicológica especializada funciona como um suporte bastante importante na busca de meios para melhorar as condições estressantes a que o sujeito está envolvido. Algumas tecnologias apropriadas para quadros como este são favoráveis ao paciente sob fortes condições de estresse e os determinantes de cada caso, pressupõem diferentes relações entre estratégias de intervenção e padrões de respostas mais adequadas. No caso da personagem acima narrado, estar diante de um tribunal já denota situação aversiva que somada a probabilidade de ser considerada culpada, ocasiona a contingência que causa o AVC. Na vida real, situações parecidas tem fins parecidos, mas não apenas em casos como este. Condições de estresse seja ela no trabalho, por demandas superiores a sua capacidade, lidar com pessoas que não lhe reforçam positivamente, demandas do cotidiano como a relação com familiares e até mesmo ao fim de relacionamento amoroso, são condições antecedentes para a resposta de sofrer um AVC, pois cada sujeito reage diferente aos estímulos aversivos pelos quais está exposto. A melhor prevenção é um acompanhamento psicológico para que o sujeito adquira habilidades para solucionar a condição de estresse que vive. Do contrário, as pessoas continuarão sendo vítimas de seu ambiente aversivo, e sendo passivas na resolução dos próprios problemas.


Diego Marcos Vieira da Silva


Psicólogo comportamental (CRP15/4764), formado pela Universidade Federal de Alagoas, especializando em neuropsicologia, com formações em psicopatologia em análise do comportamento e técnicas de memória e oratória. Com capacitação para avaliação psicológica e experiência em casos de transtornos psicológicos tanto na clínica quanto em instituições de saúde mental.


REFERÊNCIAS:


FILGUEIRAS, J.C., HAPPERT, M.I.S. A polêmica em torno do conceito de estresse. Psicologia, ciência e profissão. 1999. [3], 40-51.


MARGIS, R., PICON, P., COSNER, A.F. SILVEIRA, R.O. Relação entre estressores, estresse e ansiedade. R. Psiquiatr. RS, 25: 65-74, abril, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rprs/v25s1/a08v25s1.pdf>


OLIVEIRA. R.M.C., ANDRADE, L.A.F.  Acidente vascular cerebral. Revista Brasileira de Hipertensão, vol. 8 (3): julho/setembro, 2001. Disponível em: <http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/8-3/acidente.pdf>

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