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Política

09/06/2018 ás 11h48 - atualizada em 09/06/2018 ás 12h12

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Poço das Trincheiras / AL

Inquérito contra Renan envolve suposta propina da J&F para Renan Filho
Renan é acusado de receber R$ 9,9 milhões, mais R$ 1 milhão para campanha do filho
Inquérito contra Renan envolve suposta propina da J&F para Renan Filho

A delação do ex-executivo da J&F, Ricardo Saud, é base para o inquérito aberto em 16 de maio pelo ministro Edson Fachin, no Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem (7), a Procuradoria Geral da República apontou o senador Renan Calheiros (MDB-AL) entre os alvos da investigação, porque Saud cita Renan como receptor de R$ 9,9 milhões do montante de R$ 43 milhões em suposta propina.


Dentro do enredo que será investigado pela PGR, o delator também acusa Renan de usar R$ 1 milhão para sua campanha de reeleição ao Senado e para eleger o então deputado federal Renan Filho (MDB) ao Governo de Alagoas, em 2014. As contas oficiais da campanha do governador registram R$ 1,3 milhão doados pela JBS, controlada pela J&F.


No depoimento gravado em vídeo pela PGR, Saud também afirmou o senador Renan “carimbou” não apenas o R$ 1 milhão para Renan Filho, mas também teria dado ordem para o repasse de outros R$ 2 milhões para o PMDB nacional, de Sergipe, do Amapá, para o PTB da Paraíba e para o PTdoB nacional.


“Renan Calheiros: R$ 9 milhões e 900. É, 1 milhão – que eu entendo também que o Renan usou parte desse dinheiro para preparar já sua eleição para à Presidência do Senado, e parte desse dinheiro para eleger o seu filho Renanzinho, em Alagoas… Um milhão para o PMDB de Alagoas, carimbado para o Renan Filho. Aí vem 300 mil para o PMDB de Sergipe, por ordem de Renan Calheiros; 500 mil para o PMDB do Amapá, por ordem de Renan; 455 para o PMDB nacional, carimbado para o Renan; 500 mil para o PTB da Paraíba, por ordem de Renan; 300 mil para o PT do B nacional, por ordem do Renan. Então, o que entendi disso aí, das conversas que a gente teve lá com ele, que ele já estava jogando alguns senadores, o senhor vai ver mais embaixo, para preparar a eleição dele para a presidência do Senado”, declarou o delator.


Ricardo Saud ainda disse à PGR que parte do dinheiro foi entregue no apartamento do senador em Alagoas, que fica em Maceió, na orla da Ponta Verde. E outra parte foi enviada à sede do PMDB de Alagoas, que fica no bairro da Jatiúca.


Saud dizia frequentar a casa do então presidente do Senado, para definir a operacionalização da partilha de propina. Renan Calheiros trata esta delação como “fantasiosa”. E ainda afirma que o fato de o delator ter ido à sua casa não significa que o senador alagoano tenha qualquer relação com atos criminosos. “Ricardo Saud ou qualquer outro delator jamais falaria com ele sobre propina ou caixa dois”, defendeu-se Renan, em 2017.


CASO ODEBRECHT NO STJ


Renan Filho não é alvo do inquérito sobre a acusação de propina da J&F, mas dois inquéritos já foram abertos no STF contra o governador de Alagoas, em abril de 2017, pelo ministro Edson Fachin.


Nesses casos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ),  é relatado que o senador Renan pediu doação de campanha de “ao menos R$ 800 mil” para beneficiar Renan Filho, durante uma reunião com o ex-executivo da Odebrecht, Claudio Melo Filho. E este delatou que entendeu o pleito como um pedido de propina para que fosse aprovada a matéria legislativa que beneficiava contratos de energia de interesse da Braskem, no Nordeste.


Em outro caso envolvendo o governador de Alagoas, delatores da Odebrecht, indicam supostos recebimentos de propina de 2,25% do total do contrato de empreiteiras que executam a obra do Canal do Sertão Alagoano; de um repasse de R$ 500 mil em dinheiro, entregues em um hotel de Maceió; e de parte dos R$ 5 milhões pagos ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), em contrapartida à aprovação da Medida Provisória nº 627/2013 que beneficiaria subsidiárias da Odebrecht no exterior.


DOAÇÕES DE DENUNCIADAS


Renan Filho recebeu e registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um montante de R$ 9,2 milhões somente em doações de campanha originadas de nove empresas enroladas com a Operação Lava Jato.


E, à época da abertura dos inquéritos da Odebrecht, Renan Filho declarou que “todas as doações recebidas durante a campanha ocorreram dentro da lei e foram devidamente declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”.


No ano passado, Renan Calheiros saiu em defesa do filho: “O senador Renan Calheiros informa que o governador [Renan Filho] jamais tratou de doações eleitorais com empresas. Essa tarefa coube ao presidente do partido em Alagoas, que é o próprio senador. Acusar alguém por obra executada por governo adversário é, no mínimo, um absurdo”, disse uma nota divulgada pela assessoria do senador.


Fonte: Diário do Poder















 

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