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Emoções e sentimentos, como gerenciar?
Diego Marcos vieira da Silva Psicólogo comportamental (CRP15/4764), formado pela Universidade Federal de Alagoas,
Emoções e sentimentos, como gerenciar?

Quero iniciar este texto questionando ao leitor: alguma vez você precisou “ser forte” para não agir de acordo com as emoções? Quantas vezes ouvimos as pessoas dizerem que não conseguem fazer algo por causa de suas emoções? Acho que a situação mais comum pela qual presenciamos, é quando alguém fala, por exemplo, que “a raiva que sentiu foi tanta que se comportou de certa forma”, atribuindo ao sentimento de raiva a causa de seu comportamento. O sistema límbico está intimamente relacionado às emoções e pode ser compreendido, conforme os três níveis de seleção. A psicologia explica este fenômeno e, mais que isso, comprova em seus experimentos como situações ambientais são capazes de provocar sensações internas as quais nomeamos conforme os outros possam compreendê-las. Nós controlamos nossas emoções ou somos controlados por elas?


Inicialmente, sentimento e emoção são tidos como diferentes entre si. Enquanto o primeiro está mais ligado a sensações internas e necessárias à sobrevivência, a segunda está relacionada a ação do indivíduo quando se está sentindo algo. A ciência análise do comportamento, fundamentada na filosofia do behaviorismo radical, ainda tem sido alvo de incompreensão em boa parte das interpretações a ela referidas. Isso se deve a J.B. Watson que foi precursor do behaviorismo metodológico e segundo ele, apenas eventos observáveis poderiam ser estudados, ignorando, dessa forma, toda emissão de comportamento que fosse introspectivo, pois não era passível de observação para estudos cientÍficos. Mais a frente, B.F. Skinner, lança o behaviorismo radical, afirmando a importância do estudo científico desses comportamentos, os quais não devem ser ignorados pela ciência psicológica pois, “a maneira como as pessoas se sentem é, frequentemente, tão importante quanto o que elas fazem” (SKINNER, 1991). Com isso, é válido compreendermos o que são os sentimentos para esta ciência e que posição ocupam na “causalidade” do comportamento humano. Conforme a análise do comportamento, sentimentos nada mais são do que sensações fisiológicas sentidas pelo organismo frente a determinado evento ambiental, é uma ação sensorial como ver, ouvir, tocar, etc. A comunidade verbal é responsável por atribuir nomes a essas sensações, onde muitas vezes, não são compatíveis com o que de fato está sendo sentido. Uma criança que cai da bicicleta, por exemplo, pode ser estímulo para que aqueles que presenciam o evento, digam “nossa, deve ter doído”. A criança que ouve esta frase, sendo contingente ao evento de cair, passa agora a compreender que cair é o mesmo que sentir dor; quando muitas vezes a sensação nem é sentida. Filogeneticamente, sentir dor é consequenciado com afago e preocupação das pessoas a sua volta, por esta razão temos um forte motivo para que a sensação de “dor” seja sentida.


“Falar sobre as reações fisiológicas para outra pessoa, geralmente visa a consecução de uma determinada consequência. Quando diante de uma situação eu falo para uma pessoa que sinto medo, eu não estou simplesmente descrevendo meu conjunto de reações fisiológicas. Eu só falarei que tenho medo caso tenha aprendido que existe algum tipo de retorno satisfatório em apresentar este comportamento verbal. Isso é tão verdadeiro que as pessoas são capazes de manipular as outras apresentando comportamentos verbais que não estão correlacionados com suas reações fisiológicas”. (ALVES, 2012)


Semelhante ao exemplo acima, passamos agora a analisar o sentimento de tristeza. Este sentimento, o qual chamaremos de comportamento pois sentimento é comportamento, é condição importantíssima para que as pessoas se aproximem de quem emite este comportamento, e mais que isso lhe deem atenção e lhe prive de responsabilidades. Ressalto que as sensações pelas quais sentimos terão um valor maior a depender do ambiente de formação do sujeito. Os sentimentos têm sua importância filogenética, ontogenética e sociogenética pois garantiram a sobrevivência de nossa espécie. As emoções são inerentes à condição humana, pois fomos capazes de desenvolver estruturas cerebrais mais complexas ao longo da evolução. O paleopálio, conhecido também como cérebro intermediário formado pelas estruturas do sistema límbico, desenvolveu-se como uma camada acima do cérebro primitivo, sendo mais tarde, coberto pelo neopálio, ou cérebro superior (racional). Ao sistema límbico, atribui-se o papel das emoções. É nessa região que nosso sistema nervoso central desenvolve funções afetivas como aquelas onde fêmeas cuidam de sua prole, bem como os mamíferos passam a desenvolverem empatia pelos outros animais. Segundo Barreto e Silva (2010), “as emoções mais primitivas e bem estudadas pelos neurofisiologistas, com a finalidade de estabelecer suas relações com o funcionamento cerebral, são a sensação de recompensa (prazer, satisfação) e de punição (desgosto, aversão), tendo sido caracterizado, para cada uma delas, um circuito encefálico específico”.


O título desse texto desperta no leitor a compreensão de que os sentimentos são algo que controlam nossa ação no mundo, como se fossem entidades que se apossam de nosso organismo nos deixando passivos na emissão de nossos comportamentos. No entanto, como vimos, sentimentos também são comportamentos e como tal, devem ser analisados levando em consideração as contingências ambientais pelas quais o sujeito está inserido. Não podemos validar a afirmação de Willian James quando ele fala que “não choramos porque estamos tristes, mas estamos tristes porque choramos”; senão entraremos numa tautologia e nada é explicado levando em consideração variáveis do ambiente. Choramos E estamos tristes porque algo aconteceu no ambiente (a perca do emprego, por exemplo). Ninguém rir, por estar feliz. As pessoas riem e estão felizes por terem se beneficiado de algo. O ambiente é responsável pelas sensações internas pelas quais o organismo responde e “lidar com as emoções” nada mais é do que utilizar de inteligência emocional para não se deixar levar pelos sentimentos. Uma pessoa que terminou um relacionamento reforçador, logicamente sentirá bastante tristeza pois este evento sinaliza perda de benefícios e pessoas que não sabem lidar com suas emoções, optarão por permanecerem tristes e se ausentando do trabalho e dos compromissos, até que um outro amor bata a sua porta, já pessoas que sabem lidar com esse sentimento, sofrerão com a perda, mas não deixarão que isso impossibilite essa pessoa de continuar sua vida, mesmo vivenciando o luto.


A melhor forma de “lidar com suas emoções” é primeiro entendê-las como sensações privadas a que o sujeito emite, frente a determinados eventos que tem um certo valor de acordo com a história de reforçamento e punição do sujeito, entendendo-as como naturais ao ser humano. Depois, trabalhar habilidades de comportamento para mesmo com determinados sentimentos comportar-se de forma adequada e responsabilizando-se pelas consequências de suas ações. “Lidar com as emoções” requer, acima de tudo, autocontrole. Não é porque estou com raiva, por exemplo, que partir para o “ataque violento” seja a melhor opção para resolver meu problema. Controlar o que estou sentindo e avaliar a melhor forma de resolver meus problemas é a melhor solução para irmos exercitando nosso comportamento assertivo e sabendo lidar com os sentimentos de tristeza, raiva, ansiedade, ódio, amor, etc. Um psicólogo analista do comportamento dispõe de técnicas essenciais para que pessoas “emotivas” aprendam a se autocontrolar e aprender novas habilidades para lidar com os eventos da vida.


Diego Marcos vieira da Silva


Psicólogo comportamental (CRP15/4764), formado pela Universidade Federal de Alagoas, especializando em neuropsicologia, com formações em psicopatologia em análise do comportamento e técnicas de memória e oratória. Com capacitação para avaliação psicológica e experiência em casos de transtornos psicológicos tanto na clínica quanto em instituições de saúde mental.


 


Referências:


 Barreto, J.E.F.; Silva, L.P. Sistema límbico e as emoções – uma revisão anatômica. Rev Neurocienc 2010, 18 (3): 386-394. Disponivel em: <http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2010/RN1803/426%20revisao.pdf>


Amaral, J.R.; Oliveira, J.M. Sistema límbico: o centro das emoções. Disponível em: <http://www.cerebromente.org.br/n05/mente/limbic.htm>


ALVES, Gérson. Reprimir sentimentos faz mal?. 2012.


Skinner, B.F. O lugar do sentimento na análise do comportamento. Terapia por contingências de reforçamento. Disponivel em: <http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/skinner/lugar_sentimento.pdf>


Skinner, B.F. (2003). Ciência e comportamento humano. Tradução organizada por J.C.Todorov & Azzi 11ª edição. São Paulo: Martins Fontes editora. (trabalho original publicado em 1953)

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