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QUANDO A TIMIDEZ ATRAPALHA
Essa história lhe parece comum?
QUANDO A TIMIDEZ ATRAPALHA

Joana, 20 anos, recém graduada em Direito sonha com a carreira de advogada, mas sente fortes tremores e palpitações quando pensa na possibilidade de lidar com pessoas desconhecidas e/ou defender seu ponto de vista em público. Sua vida acadêmica foi de muita ausência em sala de aula, poucos amigos e isolamento social. Joana considera-se tímida e não consegue lidar com isso, visto que acredita ser um traço de sua personalidade. Essa história lhe parece comum?


Por muito tempo acreditou-se que a timidez poderia ser classificada como uma doença em que seus “enfermos’ sofrem com ansiedade extrema em ambientes sociais, apresentam baixa auto-estima, tem comportamentos de introversão, conversam sem olhar nos olhos das pessoas, acreditam ser o centro das atenções e que as pessoas a sua volta estão lhe avaliando o tempo todo para levantar críticas ao seu respeito e julgar se seus comportamentos são positivos ou não.  Tais características foram sendo avaliadas e no DSM-III passou a ser considerada como uma fobia social. Neste sentido, vários autores discutiram este comportamento sob vários aspectos e defenderam a interpretação de que ela seria uma subcategoria da fobia social. Hoje, a Associação Americana de Psiquiatria na 5º edição do Manual Diagnóstico e Estatísticos dos Transtornos Mentais, traz alguns critérios como definidores da fobia social. Elencados até a letra “J” resumem-se em situações (generalizada ou específica) de evitação em que causam sofrimento psicológico, com sintomas fisiológicos, cognitivos e comportamentais que podem levar o indivíduo a um ataque de pânico.


Mas por que sou tímido? Para responder a esta pergunta precisamos definir a timidez em termos comportamentais para assim, analisar as causas deste comportamento. A timidez deve ser entendida como uma classe de comportamentos que caracterizam determinado padrão no repertório do indivíduo. Para ser mais claro, não existe pessoas que “SÃO” tímidas. Timidez não é algo que a pessoa “possua”, mas sim comportamentos que a pessoa emite em determinadas situações. Estes comportamentos são aprendidos durante o desenvolvimento do indivíduo por evitação de exposição, seguido de ganhos (reforço negativo e positivo) por comportar-se de forma timida. Por ser algo que adquirimos no nosso desenvolvimento, as causas do comportamento devem ser analisadas no(s) ambiente(s) de formação do sujeito. Dessa maneira, desde nossas apresentações no colégio até a participação em grupos de amigos contribuirão para o fortalecimento deste comportamento. Conforme o behaviorismo radical de Skinner (1969), a pessoa tímida tem um repertório comportamental deficitário. Ou seja, o acúmulo de situações evitativas, o isolamento, e a falta de exposição a situações importantes tem sido a causa deste repertório.


No caso de Joana, pode-se considerar que durante sua formação evitou estar em lugares ou com pessoas que lhe causavam desconforto simplesmente por não saber lidar com estas situações. A medida em que evitamos nos expor vamos contribuindo para um repertório comportamental pobre e fortalecendo o aparecimento de sintomas fisiológicos todas as vezes que estivermos em situações semelhantes. Para solucionar este problema, faz-se necessário que o indivíduo esteja exposto em situações que antes evitava por mais que cause desconforto, pois nosso cérebro vai se adaptando a estas situações, buscando amenizar as sensações físicas e fortalecendo outros circuitos neuronais a fim de fortalecer um novo repertório comportamental. Os treinamentos podem ser feitos no cotidiano, até mesmo conversando com a atendente de uma loja, visto que ela é paga para conversar com os clientes então não se corre o risco de não ser correspondido. Comece a conversar mais com as pessoas, começando pelo seu vizinho, os familiares; cumprimente as pessoas, faça saudações. Tente olhar nos olhos delas quando estiver conversando. Saia com amigos, busque interagir socialmente. Esteja em grupos que sejam produtivos. Busque resolver seus problemas ao invés de pedir para os outros facilitarem para voce. Os profissionais de psicologia são capacitados para junto ao indivíduo desenvolver essas habilidades de enfrentamento a situações desconfortáveis e aquisição de um repertório mais enriquecido em habilidades e dinamismo.


Diego Marcos Vieira da Silva


psicólogo comportamental CRP 15/4764


 


Skinner, B.F. (2003). Ciência e comportamento humano. Tradução organizada por J.C.Todorov & Azzi 11ª edição. São Paulo: Martins Fontes Editora. (trabalho original publicado em 1953)


AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 992p.


MAGALHÃES, Rui Tavares. Da timidez à fobia social. 2010. Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/18589/1/Da%20Timidez%20%C3%A0%20Fobia%20Social%20-%20Rui%20Magalh%C3%A3es.pdf

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